Quarta-feira, Novembro 05, 2008

O Que Restou do Acumulado


Onze anos depois… Parei de escrever em diários.
Era uma obrigação diária que reduzia meus escritos a frases curtas e mal amadas. Resolvi, então, fazer de meus textos minha única ferramenta de memória. O resultado foi pior, ao invés da obrigação de escrever todo dia, fico com a preocupação de não estar escrevendo nada.
Acumulei eventos, suas frases, pontos e vírgulas como quem acumula afazeres depois de um dia corrido de trabalho. Foi assim que descobri que acumular significa mudança. Quem acumula muito, na hora da prática tem que eleger prioridades, modificar planos e se adaptar a novas realidades.

Esse texto é o resultado do acúmulo irresponsável de quatro outros que já deveriam ter sidos realizados.

1. Dois meses quase completos na França e só agora começamos a viver, no sentido mais “empírico” da palavra. Nos mudamos pela terceira e última vez e já andamos pela cidade com mais tranquilidade, sem precisarmos de mapas ou de ficarmos tentando seguir o caminho do famoso “ônibus 31”.
Na medida que o frio vem, os passeios congelam no tempo e passam a esperar ansiosos para brotarem com a primavera. Já sinto falta dos desconhecidos queridos com quem passeava no 31. A senhora com o cachorro, o ruivinho e a ruivinha que vinham com a avó ou com a mãe, o casal de velhinhos que conversavam durante todo o caminho e davam as mãos na hora da descida, o garoto com o mp3 que todo mundo conseguia ouvir de tão alto, a senhora com grandes olhos saltando pela janela de seu véu … Pessoas para quem eu já abria um sorriso enorme e sabia estar sendo reconhecida. Ainda assim, o frio, por ser mais controlável por casacos, cachecóis e chocolates quentes, é mais agradável do que o calor devastador que deve estar fazendo em Recife.
As aulas são maravilhosas, principalmente a de História da Arte, é coisa de filme. Aprendemos a identificar épocas, artistas e quadros, é história pura! A aula de política também é interessante, mas pode ser facilmente resumida em poucas palavras: Revolução Francesa e De Gaulle. No mais, la ville nous plaît beaucoup!

2. La Côte d’Azur! Fiz duas visitas à Côte, uma primeira com a universidade e outra com uns pedacinhos de Recife que vieram visitar, e dos quais falarei no próximo trecho. Fomos em Nice, Cannes, Antibes, Cassis, Mônaco, St. Paul de Vence e Gordes. Desculpe mais vou ter que fazer uma rima completamente esdrúxula, Gordes é gorgeous! É uma pequena vila de montanha, parece grega. St. Paul de Vence também é uma graça, bem medieval. Caminhando você fica a imaginar cenas descoladas da realidade, sonhando em um dia ter podido viver num daqueles becos, numa casa cheia de janelas floridas, fofocando com as vizinhas. Fiquei decepcionada com Cannes que imaginava ser como Mônaco, ostentações e ornamentos, mas também uma cidade muito saudável. As visitas foram ótimas, e as companhias maravilhosas. Com a universidade não parávamos de andar, com a família, de gargalhar.

3. Recebemos duas visitas mornas, que trouxeram bons ventos. Luísa foi a primeira, que veio direto da Escócia e cheia de novidades! Nos contou do verde, dos cavalos e das ovelhas lá de cima. Do sotaque, dos hábitos e das comidas. Essa coisa de intercâmbio é muito boa mesmo! Depois chegaram Tia Sandrinha e Tio Alfredo, que iniciaram o tour fazendo doações. Eles nos doaram histórias, piadas, gargalhadas e ótimos momentos. Com eles fomos também à Avignon (Le Palais des Papes) e à Orange, ver o Teatro Romano, que me fez chorar sem nenhuma razão aparente, acho que foi a saudade de tudo aquilo que não vivi, ou a constatação de que somos baixinhos se comparados ao senhor Tempo. Meus tios deixaram saudades desproporcionais à quantidade de tempo que ficaram, mas eles foram doar mais felicidade pela Europa.

4. Paris em 2 dias. Minha batalha do mês outubro. Visitar Paris com minha prima Luísa em dois dias. Foi a segunda vez que fui à Paris e foi, novamente, muito cansativo. Ainda não conseguí amar toda a cidade, eu amo os primeiros momentos e depois quero ver tudo rapidamente e parar para respirar. Não conseguimos entrar no Louvre, mas vimos o Orsay todo, o meu preferido. Começamos lá de baixo, pelos representantes do Rococó, do Neoclassicismo… e fomos com bem muita calma. Durante todo o percurso eu dizia: “Espere chegar nos impressionistas”. Luísa conhecia o termo, mas não exatamente a escola. Quando chegamos no ultimo andar, ela entrou na sala de Renoir, virou para mim e disse: “Por que tu não dissestes que eram assim os quadros impressionistas? Gastamos a maior parte do tempo lá em baixo! Esses já são meus favoritos”. Pode ser um pecado preferir um estilo a outro, já que todos são extremamente importantes, mas eu não tenho medo de dizer que pessoalmente, prefiro os impressionistas e indépendants. Embora o classicismo seja tão perfeitamente belo…………….. Da Sacré Coeur constatamos que a Torre de Gustavo estava toda piscando, já eram umas 9 da noite e nós resolvemos encarar todas as escadas da Basílica e do metrô para chegarmos nas estrelas. Valeu a pena, eu não sabia que podia subir à noite. Vimos a cidade das luzes, “às luzes”!
Voltei satisfeita, minha mãe foi conosco e acho que também aproveitou, Luísa deve ter ficado um pouco cheia demais, como quando comemos, depois dá uma embrulhada. Paris é realmente um prato cheio!


Depois desses restos de lembranças, dessa visão geral cortando todos os detalhes que dão o tempero, eu prometo que da próxima vez vou exagerar no sal! Que acúmulo irresponsável de memórias…

Terça-feira, Setembro 09, 2008

Grenoble

14:00 do dia 06/09/2008 - Je viens d'arriver à Grenoble
21 horas antes eu estava no mais complexo estado emocional que alguém poderia estar: tenho medo da subida do avião, mas adoro quando está lá em cima. Essa é só a contra capa, o fato é que tenho medo da instabilidade da subida, da distância, da mudança, da saudade... mas me sinto confortável quando sei que já posso andar livremente pelos corredores da aeronave, dos museus, das paisagens, do aprendizado... 
Mãe, pai e filha, embarcamos para mais uma aventura inesquecível, apoiada por todos, e saber disso me confortava. 
De Lisboa para cá pegamos um aviãozito orquestrado por choro, berros e tosses assustadoras. Bonito foi ver que quando realmente é preciso, as pessoas deixam de ser "nacionais" para serem humanas somente. A língua, a história e o background ficam de lado por um instante e todo (o) mundo se entende.

Finalmente às 14:00 (8:00 no Brasil) chegamos exaustos, com fome, com sono, com bagagens visíveis e invisíveis e ainda fomos recebidos a trovoadas e céus fechados. Um amigo do meu pai, Jaques, foi nos ajudar. Chegamos em casa e dormimos sem demora. 
A casa é très petite, mas cabe um mês nela perfeitamente.   
Segunda-feira fomos até uma sinagoga com Jaques, que como todo bom judeu participa dos eventos de sua comunidade admiravelmente unida. Era uma palestra sobre música judaica com apresentações fantásicas! Admiro os judeus por esse valor tão bem empregado sobre a arte no geral. Comemos em uma espécie de Mc.Donalds francesa, muito mais saudável, e fomos todos encontrar mais um amigo de Recife, Rodolfo, também professor e pesquisador. 
Cada qual com sua família e alguns franceses amigos, tivemos uma soirée tipicamente francesa. 
Agora é que começamos a nos ajustar. Já andamos muito de Tram e de metrô, que são sistemas simples, baratos, seguros e até divertidos. É por isso que gostamos tanto da Europa, aqui nós podemos Ser mais. Temos mais opções e mais possibilidades de criarmos nossos próprios perfis, mas esse já é um tema um tanto quanto cliché. 

Meu curso de francês era tudo o que eu queria, recomendo um desses a quem quiser passar uma temporada por aqui. São 10hrs de estudo da língua + 2hrs de aula de vocabulário + 4:30/5hrs de aulas extras que são 7 opções de aulas das quais você deve escolher 3 ou mais. Tem Literatura Francesa e Francofônica, Política e Economia da França Contemporânea, Negócios e Economia Geral, História da França Contemporânea, História do Cinema Francês + projeções de filmes, Iniciação à História da Arte Francesa e Cultura e Sociedade. O curso ainda organiza eventos, como caminhadas e viagens culturais! É realmente completo. Muitos asiáticos como sempre, os mais simpáticos ao meu ver, sempre gargalhando e conversando uns com os outros freneticamente. Também muitos americanos, o que para mim foi uma surpresa. 

Ah, estamos sendo massacrados pelos horários franceses! Tudo acorda tarde, cochila no almoço e dorme antes de anoitecer. Ainda temos mil "quiprocós"  para resolver e só resolvemos um por dia com toda essa história de "pernas pro ar que ninguém é de ferro". Para nós, ao invés de aparentar que temos mais tempo para lazer e descanso, parece que não temos tempo para rien

Ainda não tirei tantas fotos, mas a cidade é linda! Assim que sentir mais de seu perfume escreverei mais relatos. 

À bientôt!
                                  

Quinta-feira, Agosto 28, 2008

Que Crime!

Quanto tempo! Preocupa-me ...
Se tivesse sido um tempo inocente, limpo, mas foi um tempo criminoso. Cometi um erro profundo, pensei demais.
Aliás, por um momento fiquei sem pensar, mas acabei ficando doente. Fui uma flor por uns dias, daquelas que só querem saber da água e do sol. Depois foi ainda pior. Quando os sintomas foram embora, os pensamentos voltaram com tanta força que fui obrigada a não aceitá-los mais. Ficaram tanto tempo guardados que eu tinha que limpá-los antes, tirar a poeira.
Foram dias, dias e mais dias duvidando de mim mesma, duvidando de tudo que eu sabia, tudo que eu gostava, tudo que eu era. Alguém já teve algo parecido? É normal?
Às vezes me sinto tão nova.
Pensei demais. Perdi-me.
Será que para todo mundo é assim? difícil? mil definições, decisões... Queria ser irresponsável. Não queria pensar tanto em causas e conseqüências. Não queria pensar no remorso que posso vir a sentir. Queria tratar a vida como um jogo, uma brincadeira.
Eu prefiro me arrepender por ter sido feliz por um tempo grande demais do que não me arrepender de nada.
Poucos ouvem os mais velhos, eu os ouço demais. “Se pudesse voltar atrás”. É dessa frase que tenho medo, e é essa frase que me esmaga. Por isso peco e peco de novo, penso demais. Que crime!
Pois é, nessa arrumação toda, perdi-me.
Na teoria sou uma, e na prática (antes inimaginável) sou outra!
Nunca soube o que fazer com a parte prática e quando finalmente descubro é o oposto da parte teórica, aquela que já havia tombado em mim.

Quanto tempo.
Ainda não estou recuperada.
Pensei demais...

Quarta-feira, Novembro 21, 2007

Confie em Mim


“Confie em mim, eu sou sua amiga”
Confiei, confio, confiamos... segui o rumo apontado pela guia, seguimos.
Cada poço, cada pedra, foi tudo premeditado.
O melhor sempre nos foi dado.
Nada, nada nunca deu errado.

“Confie em mim, eu quero seu bem”
Fui cuidada, fomos.
Remediada, fomos.
Tudo o que pensava, errada ou certa, não importava, ela estava lá, sempre.
Certa.

“Confie em mim, não tema”
Me confortei, me conformei, me conformava.
Tem coisa melhor do que se sentir cuidada?
Tem despreocupação maior do que se sentir amparada?
Me perdi em ilusão confortável.

“Confie em mim, me ouça”
Ouvi tanto que me fiz de ouvida.
Meu medo agora é pular para fora.
Ou silenciar o zum zum zum que sempre ouvi.
Zum zum zum...

“Confie em mim, me siga”
O difícil agora é seguir no contra.
No grande desconforto do contra de não saber o que vem lá.
No grande desconforto do contra desacostumado.
Lembrando que para o outro lado seria bem mais fácil.

“Confie em mim”
Confio, confiarei...
Só peço, depois de tanto confiar, que me deixe ser completa.
Me deixe errar.
Depois de tanta confiança, um pedido, uma insegurança:
Confie em Mim, eu já me sou confiável.

Segunda-feira, Outubro 22, 2007

Um Pouco Perdão

Dez anos, infância.
Vinte anos, caminho.
Quarenta anos, “se” – e se fosse diferente?
Cinqüenta, sessenta, setenta anos...
Um filho, uma felicidade sincera, uma tristeza permanente.
Uma vida.

Viver é preciso. O tempo é uma necessidade, um pré-requisito do saber e falar não é apenas uma questão lingüística.
-Vida, do Lat. vita; s.f., existência.
A palavra é seca e crua se o conhecer não fizer parte de suas entranhas. É preciso estar gorda de conhecimento, cheia; é preciso viver para que Vida seja uma palavra-nuvem prestes a desabar.
Escrever, então, é quebrar essa regra, é burlar a realidade e brincar com o tempo, logo ele que é tão intransigente. Escrever é doar sentidos desconhecidos para palavras vazias, é sair da física, do corpo, e assumir a maleabilidade, preenchendo vidas estranhas, futuros de anos e passados perdidos, em um só rabisco e alguns fonemas.
E é por isso que escrever é tão difícil quanto perdoar, entender, que também não deixa de ser um difícil inocente sair de si e compreender.
Perdoar é esquecer-se um pouco, jogar-se em um canto e ficar em silêncio. Quando se perdoa trocam-se os papéis, entra-se para fora, faz-se aurora miúda, recém nascida, que tudo vê depois que expulsa a noite e sua escuridão. O corpo fica, o pensar solidificado fica, só leva a luz e retorna água, pronta para derreter o que ficou e se fazer mais colorida.
O perigo é ficar preso em uma nota só e tocá-la de ré com dó de si, preso no fá sem poder sair... O erro é pensar que existe referência, que existe protagonista.
Não se entende o mundo diante do espelho.
Mas a maior falha, infelizmente, é querer voar. Achar que é realmente possível se libertar do “espelho, espelho meu”. São os mais sábios que se destroem nessa ilusão, os pequenos se contentam com os pés, se contentam em tolerar ou esquecer. São os insaciáveis que querem utopias.
A utopia do perdoar.
O sonho de entender as dores, de entender as estranhas partes que lhe foram doadas, de entender cada carta do baralho, cada outro que te montou.
O querer inalcançável de não-ser é o erro.
É impossível ir ao fim do infinito.

Por fim me rendo... meus pés me cansam,
eu erro me sabendo errada,
me maltrato e me calo,
quero asas!

Quero sentir o gosto da impossível descrição de um sabor desconhecido
E vou assim, tentando entender o outro e perdoar a vida...
Tentando me sentir mais entendida – amiga.

Quarta-feira, Agosto 29, 2007

O Meu Sertão

O vento
O calor
O brilho, a queimadura do brilho
O sol
O estalar das folhas queimadas
O marrom
A terra, as amargas feridas da terra
A sede
A falta de vida, viva.

O sonho: água
A chuva: susto
O medo do novo
O querer temido
O querer desconhecido
As feridas que pedem remendos
A chuva que vem remendar
...O medo de afundar
O medo da ajuda, estranha há tempo.

A seca, que seca prefere ficar
O costume mal acostumado
O conformar mais desconforme.

O tempo de ser pó precisa de um sopro.
A chuva precisa molhar, sem medo de afogar o chão.
Eu preciso receber o que temo, o que não tenho, o que não dou,
o que nunca me dão.

Quinta-feira, Agosto 09, 2007

O Fim do Ano

Ontem, finalmente, o ano acabou.
É verdade que continuo acordando com raiva do sono e ficando tonta por ter levantado rápido demais, mas algumas coisas mudaram tão bruscamente que mesmo estando em agosto já decretei o fim do ano. Ainda vou mais longe e ouso dizer que com o fim desse ano acaba também um passado, uma etapa, uma de tantas vidas que tenho dentro de mim.
Esse ano levou para a Itália a minha única amiga com quem me compartilhei desde 1990. Ela foi para não voltar, e por mais que volte a música já não será a mesma. Esse ano também resolveu casar um irmão, o mais velho, que de agora em diante é “metade daqui, metade de lá”. Com o casamento, a família cresce e diminui. Metade do irmão vai e novos nomes vêm para o amigo secreto do natal.
Ontem, terça feira dia 7 de agosto, finalizam os últimos acontecimentos e o ano acaba. Acontecimento um: Depois de muito tempo pensando no futuro e nas escolhas, não consegui decidir e me deixei levar pelos dogmas do nosso século. Estava em dúvida entre coisas que gosto e coisas que, aparentemente, dão certo. Teatro, letras, filosofia ou direito? Escolhi a que vai me dar menos trabalho, e, também, menos alegrias. Sim, escolhi direito. Os velhos projetos se aposentaram, os sonhos caíram das nuvens e estão esquecidos pelo chão. Acontecimento dois: Tenho dois irmãos mais velhos, um de 23 e um casado (porque parece que depois que se casa essa informação é a única que realmente importa). Ontem, um deles embarcou para São Paulo para encontrar o outro, que já estava lá desde segunda, e ontem mesmo eles seguiram viagem para os Estados Unidos da América, onde vão fazer doutorado em economia. Dois irmãos e uma cunhada acompanhando.
Assim que voltei do aeroporto arrumei o chaveiro do carro, que agora é só meu, e também reorganizei o banheiro, que agora também é só meu. Estava tão elétrica que não percebi que a casa estava maior. Os sons também estavam mais audíveis e a minha voz estava mais quieta. Bem que eu desconfiava que essa tal de solidão tem uma enorme influência na relação mundo-indivíduo. Quando finalmente deitei para pensar um pouco, ouço a voz da minha mãe: “amanhã começam as reformas do seu quarto”. De primeira fiquei muito feliz, sempre quis reformar algumas coisas, mas quando eu pensei um pouco mais... Nunca reformei meu quarto, foi ele, assim como ele é, que me viu crescer. Por todo lado encontro marcas de quem fui, lembranças de um passado que já está mais do que ultrapassado, mas que mesmo assim me reconhece, me acolhe.
Hoje, quando entrei no quarto, não tinha quase mais nada nas prateleiras, o quarto estava frio, maior, silencioso... estava como a casa está. Meus ursos, não vi nenhum... As paredes expostas pareciam me culpar pela ausência de vida. Tive vontade de dizer a minha mãe que desisti de tudo, que não quero mais reforma e quero tudo em seu lugar, como sempre foi. Mas não tive coragem... O quebra-quebra começa amanhã e eu não quero nem estar perto para ver o ponto final.
Com meu quarto, morre o passado finalizado com o fim do ano ontem... ele só morre porque não continuará crescendo, mas ele continuará aqui, nas lembranças, nas saudades.



(*E o "surgindo..." escolhe ficar surgindo sem ter fim. O texto abaixo fica inacabado, ou talvez seu fim seja eternamente surgir. Pronto, não precisa de mais nada).